Resenha: Joyland - Stephen King

21 de novembro de 2016
Título: Joyland
Autor: Stephen King
Editora: Suma de Letras
Ano: 2015
Páginas: 240
Skoob
Comprar: Amazon | Livraria da Folha | Saraiva
Sinopse: Carolina do Norte, 1973. O universitário Devin Jones começa um trabalho temporário no parque Joyland, esperando esquecer a namorada que partiu seu coração. Mas é outra garota que acaba mudando seu mundo para sempre: a vítima de um serial killer.
Linda Grey foi morta no parque há anos, e diz a lenda que seu espírito ainda assombra o trem fantasma. Não demora para que Devin embarque em sua própria investigação, tentando juntar as pontas soltas do caso. O assassino ainda está à solta, mas o espírito de Linda precisa ser libertado — e para isso Dev conta com a ajuda de Mike, um menino com um dom especial e uma doença séria.
O destino de uma criança e a realidade sombria da vida vêm à tona neste eletrizante mistério sobre amar e perder, sobre crescer e envelhecer — e sobre aqueles que sequer tiveram a chance de passar por essas experiências porque a morte lhes chegou cedo demais.



 Para os que dizem ter medo de terror, Stephen King é um autor nada aceitável. Mas, o que tais leitores não sabem, é que o cara tem obras dramáticas e até mesmo com romantismo, que trazem pitadas bem leves de sobrenatural.

 Joyland é uma das obras que provam que Stephen King não é sinônimo de sangue, tortura e medo. Não é terror, longe disso! Joyland é um suspense tocante, que na maior parte do tempo, nos provoca sensações tristes e intensas.

 Temos uma mania chata de rotularmos o autor pelo gênero que o consagra, por isso quando Joyland foi lançado, eu imaginei que teria um terror macabro envolvendo um fantasma num parque de diversões. Ficaria decepcionada se a Taty não tivesse me alertado. Iniciei minha leitura sem altas expectativas e me deparei com uma escrita diferente, que me fez várias vezes olhar para ver se estava lendo um livro do Stephen mesmo.

 Vamos ao enredo e depois comento minha opinião ok?

 O livro é narrado em primeira pessoa por Dev. Ele conta os acontecimentos que vivenciou no ano de 1973, quando aceitou um trabalho até então temporário no parque Joyland.


 Dev era jovem e estava passando por um momento difícil para quem ama: a dor da rejeição. De coração partido, inconformado e um pouco melancólico, Dev vê o trabalho como uma forma de fazer algo diferente e quem sabe, ser interessante novamente para sua amada.
"Em negrito, a primeira linha dizia: TRABALHE NO PARAÍSO! Que estudante de letras poderia ler isso e não ficar curioso? E que rapaz triste de vinte e um anos, tomado pelo medo crescente de perder a namorada, não ficaria atraído pela ideia de trabalhar em um local com "alegria" no nome?" - página 10.
 Joyland é sinônimo de diversão! Mas não é nada comparado à Disney. O parque é especial por ser tradicional. Assim como Dev, nós não iremos curtir os brinquedos, tão pouco a área de alimentação do local. Vamos acompanhar sua rotina no parque.

 Que graça tem acompanhar um cara de coração partido? Nenhuma, não fosse pelo fato de Dev estar narrando seu passado. Nossa história se passa em 1973, mas nosso narrador não é o Dev de 1973, entenderam? Ele nos conta sobre seus sentimentos intensos desse período, ao mesmo tempo em que passa lições preciosas para os mais jovens. É como ouvir seu avô contar um fato sobre seu passado, e, devido sua experiência, nos dar conselhos importantes.
"-Filho, você sabe o que é história?
 -Hã... coisas que aconteceram no passado?
 -Não - disse ele, afivelando o cinto de lona com um bolso para dinheiro. - História é a merda coletiva e ancestral da raça humana, uma grande e crescente pilha de merda. Agora, estamos no topo dela, mas em pouco tempo vamos estar enterrados na caca de gerações que ainda virão. É por isso que a roupa dos pais de vocês parecem tão engraçadas nas fotos, só para citar um exemplo. E, como alguém destinado a ser enterrado na merda de seus filhos e netos, acho que vocês deveriam ser um pouquiiinho mais tolerantes." - página 52
 À medida que vamos conhecendo o círculo dos personagens que conviveram com Dev nesse período no parque, descobrimos que Joyland já abrigou uma grande tragédia. Há alguns anos atrás, uma jovem fora terrivelmente assassinada. O crime até então estava sem solução, as investigações não chegaram ao assassino. E como a maioria dos casos sem soluções, nasceu assim uma lenda: a de que o fantasma dessa moça assombrava um dos brinquedos do parque.

 Assim como Dev, nossos sentidos ficaram aguçados com a menção dessa “lenda”.  Conforme o jovem de coração partido se destaca, mostrando que realmente tem o que chamam de “espírito de parque de diversões”, algo parece atraí-lo ainda mais para o fantasma. E quando ele constata que o fantasma pode não se tratar de uma simples lenda, decide ir a fundo numa investigação que pode colocar em risco sua própria vida.

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 Li incontáveis resenhas em que os leitores contam o quanto Stephen os decepcionou. Não é um terror, como está no Skoob. Joyland segue a mesma linha de A espera de um milagre, porém mais voltado para o público jovem.

 Não temos um clássico de terror, mas isso não significa que não temos uma grande história. Por causa das lições que carrega, e da mensagem tocante que o autor nos traz através do enredo, Joyland é o tipo de livro que merece ser guardado e passado por gerações. Através de cenários e uma linguagem regrada de palavrões, tão ao alcance dos jovens, Stephen presenteia uma geração com uma obra que não tem a função de ser lida apenas para passar o tempo, mas também para acrescentar valores e preciosas lições.

 Não temos terror, mas nos deparamos com uma história emocionante, que nos faz constatar que o perigo está nos vivos e não nos mortos.

 Joyland comprova o quanto Stephen King é talentoso e versátil. Adorei a leitura, nas primeiras páginas senti estranheza, mas bastou me conectar ao parque para que tudo fluísse.

 Leitura recomendada para quem gosta de suspenses regrados a drama; para quem deseja ler algo do autor, mas sente medo de se deparar com terror; e ainda para todos os fãs da escrita do mestre.


Nota: 4,5
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Sobre o autor:

 Stephen King era um leitor fanático dos quadrinhos EC's horror comics incluindo Tales from the crypt, que estimulou seu amor pelo terror. Na escola, ele escrevia histórias baseadas nos filmes que assistia e as copiava com a ajuda de seu irmão David. King as vendia aos amigos, mas seus professores desaprovaram e o forçaram a parar.

 De 1966 a 1971, Stephen estudou Inglês na Universidade do Maine em Orono, onde ele escrevia uma coluna intitulada "King's Garbage Truck" para o jornal estudantil, o Maine Campus. Ele conheceu Tabitha Spruce lá e se casaram em 1971. O período que passou no campus influenciou muito em suas histórias, e os trabalhos que ele aceitava para poder pagar pelos seus estudos inspiraram histórias como "The Mangler" e o romance "Roadwork" (como Richard Bachman).
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Post por: Bia Gonçalves
Sua maior paixão são os livros que lhe fazem viajar. Odeia mesmices, por isso adora se aventurar nas páginas de uma boa fantasia e se prender a um terror daqueles de parar o coração.
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24 comentários:

  1. Não sou mt fã de suspense regado a drama. Mas pensei em ler esse livre.

    Se puder dá uma passadinha no meu e deixa um comentário?
    Blog Meu mundo, Meu quarto
    E não deixe de nos curtir no Facebook: Meu mundo, Meu quarto

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  2. Oi! Eu sou muito fã do autor e admiro a versatilidade dele nas histórias que escreve. Há terror de arrepiar, suspense, drama e thriller policial. Como não amar? Joyland não assusta, mas comove.

    Bjos!! Cida
    Moonlight Books

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    1. Oi Cida! Sim, Joyland é bem isso: comovente.
      Beeijos ♥

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  3. Oi, Bia!
    Eu gostei muito de Joyland, mesmo com esses comentários negativos. Algumas pessoas acham que King é só terror.
    Beijos
    Balaio de Babados
    Participe da promoção seis anos de Caverna Literária

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    1. Pois é Lu, como disse, temos uma mania chata de rotular né?
      Beijos

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  4. Olá, já vi esse livro e só saber que era do autor já vinha na minha mente o gênero terror, ainda não tinha visto nenhuma resenha dele, por isso me surpreendi em saber que não é esse gênero e que parece ser bem reflexivo. Agora fiquei curiosa para ler.

    www.mundofantasticodoslivros.blogspot.com

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    1. Camila, só digo: leia!! É ótimo e posso apostar que vai gostar.
      Beijos

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  5. Oi Bia, que resenha incrível!! realmente a gente tem a péssima mania de rotular os atores! Eu já sou medrosa, mas suspense eu encaro bem melhor. E parece ser mesmo uma narrativa emocionante!

    Adorei a resenha!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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    1. Obrigada Mi!! É sim, não sei se por causa da minha idade, em alguns momentos fiquei arrebatada.
      Beijos

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  6. Olá Bia =)
    Não li nenhum livro de Stephen King, mas realmente quando leio algumas resenha de seus livro vem junto com as palavras sangue e medo. Não sou muito fã de terror, de todos os livros que vi até agora desse autor esse foi o que mais me despertou interesse. Não gostei de saber que a linguagem é regrada de palavrões, mas não me independe de ler o livro. Gostei de conhecer essa obra e saber da sua opinião sobre ela. Beijos'

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    1. Oi Dayane! Eu me assustei um pouco com a forma em que King introduziu esses palavrões. Mas, mesmo com os termos, não se torna uma leitura vulgar. Muito pelo contrário.
      Beijos

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  7. Olá! Estou Lendo o meu primeiro livro do King: It. E sou medrosa, mas estou amando a leitura! Gostei da premissa desse e será o próximo da lista. Beijos!

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    1. Oi Suzana! Fiquei curiosa, o que está lendo?
      Beijos

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  8. Olá, tudo bem?
    Então.. Nunca li nada do Stephen justamente pelo rótulo dele. Eu não leio terror.
    Porém, quando vc disse que esse livro não é terror, eu meio que me interessei. Mas daí li o enredo e desinteressei.. Kkkk O enredo não me atraiu.
    Bjs

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    1. Oi Nat! Que pena :(
      Sou suspeita pq amo o autor, então tenho aquela coisa de querer que todos conheçam rsrs.
      Beijos

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  9. Oiee Bia ^^
    Eu nunca li nada do autor, mas também não tenho muita curiosidade. O único que me chama a atenção é "Sob a redoma", e isso porque eu assistia a série. Não gosto de terror, e nem de suspense/mistério, então os livros realmente não são para mim. Mas fico feliz em saber que você gostou da obra, mesmo que não 100%.
    MilkMilks ♥

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    1. Oi Dryh! Eu gostei 100% da obra, e só não entrou para os favoritos pq não é um livro que iria reler. Mas isso não significa que as sensações que tive não foram boas, acho que foram tão intensas que dispensam releitura.
      Beijos

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  10. Esse foi o primeiro livro do King que eu li e pronto já terminei e comecei outro e assim foi, eu adorei esse livro o desfecho não foi o que imaginava mais amei mesmo assim, não é um dos meus favoritos dele mas gosto muito. Parabéns pela resenha

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    1. Oi Juliana! Também não entrou para a lista de favoritos, mas assim como você, gostei muito.
      Beijos

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  11. Não sabia que o livro era tão sentimental! Me interessei bastante pela leitura, pretendo começar a ler stephen por ele, que é mais leve haha

    ótima resenha!
    Abraços
    Fábio - lupiliteratus.blogspot.com

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    1. Oi Fabio! Eu também não fazia ideia. E sim, é uma ótima dica para quem deseja começar pelos mais leves.
      Obrigada ♥
      Beijos

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  12. Oi Bia!
    Todo mundo se surpreende quando se deparam com alguma obra do King que não seja voltada só pro terror kkkkkk
    A verdade é que ele trafega entre tantos estilos que com certeza vai ter livro pra agradar a todos os leitores.
    Sobre Joyland confesso que não foi um dos melhores livros que li dele,mas mesmo assim a forma como ele lida com o psicológico e o emocional do leitor é brilhante!!
    Tem muitos livros dele que não são terror e tenho certeza que vai gostar!
    Beijos!

    http://livreirocultural.blogspot.com.br/

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    1. Oi Cláudio!
      Pois é, eu ainda estou descobrindo as diversas facetas do autor. Quero me aventurar nas obras fantásticas.
      Beijos

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