{Resenha} Caídos: Abandonai toda Esperança - M R Terci (Trilogia Caídos)

2 de janeiro de 2017
Título: Caídos: Abandonai toda Esperança
Trilogia Caídos - Livro I
Autor: M R Terci
Editora: Multifoco
Ano: 2015
Páginas: 388
Fanpage | Skoob
Comprar: Santeria Store | Amazon (e-book)
Sinopse: Romance de 388 páginas, com elementos góticos de fantasia e terror, que miscigena história e ficção, reconstruindo ficticiamente acontecimentos, costumes e personagens históricos de Portugal e do Brasil ao longo do século em que a inquisição portuguesa interferiu profundamente na vida colonial.
Caídos narra, através das confissões do bruxo Emanuel, capturado na Baia Cabrália em agosto de 1591, a saga do Trirregno das Areias Eternas, revelando um universo de magia e terror nunca antes vislumbrado por vistas humanas e que influenciou secretamente a colonização do Novo Mundo. O bruxo e aspirante a necromante, incapaz de esquecer seu passado, havendo por confiar unicamente em sua sombra – sua amiga e confidente, viva por força da magia de Anagne – segue por caminhos tortos desde as planícies de Coimbra, atravessando o deserto de areias escaldantes do Trirregno, sendo conduzido por escuras catacumbas de pesadelo à Hades Eterna, o Cemitério dos Cemitérios, local onde trava contato com os poderosos Necromantes da Rainha Emrev.
Emanuel, amargurado e consumido pela culpa de ter praticado o maior dos crimes dos Malleficarum e libertado a Grande Peste Negra sobre Lisboa, naquele maldito ano de 1569, trava, internamente, o conflito de todo aspirante aos poderes mágicos do Trirregno: ceder ao seu lado negro, movido pela vingança e norteado pelos ensinamentos do misterioso e cruel Necromante Aknoth, servo e amante de Emrev a Deusa Demônio dos Cadáveres de Hades Eterna, ou buscar a redenção de sua alma junto ao olvido, à sua completa destruição orquestrada pelos feiticeiros de Tebrarhuna, a sedutora Trisckelle e o devorador de almas, Galian.
Por outro lado, Emanuel ainda é perseguido por um inquisidor obcecado pela destruição de seu povo, os Carmins de Argol e que fará qualquer coisa, até mesmo vender a alma – havendo por conseguir auxílio dos Quatro Cavaleiros do Apocalipse –, para alcançar os passos do bruxo Emanuel do Túmulo. Tem início, então, através das hábeis mãos do famigerado Dom Henrique, Inquisidor Mor do Reino de Portugal, uma perseguição implacável que logra aportar nas Terras de Santa Cruz, onde o diabo libertou todo o inferno para fazer chacota da Criação.


M R Terci se tornou um autor indispensável em minhas listas de leituras, assim como Stephen King. Não é a toa que sempre reservo espaço para suas obras. 

Não importa sobre o que ele escreve, sei que estou em território seguro, e dificilmente irei me decepcionar. Aliás, vale deixar claro que ainda não me decepcionei com nada que ele tenha escrito.


Caídos foi uma leitura que muito estimei. 

No primeiro livro de uma trilogia, podemos voltar para o século XVI. Eu já contei para vocês o quanto amo livros que se passam em outras épocas; como sei que o autor gosta de misturar fatos históricos à ficção, este já foi um ponto positivo. 

Encontramos um suposto necromante, de nome Emanuel. Ele fora apreendido pela Inquisição, e talvez acreditando que realmente seria condenado, passa a contar sua estória para o jovem inquisidor, Pedro

Emanuel nos conta tudo a seu respeito. Desde sua infância até o exato momento em que fora capturado. 

Foi meio estranho ler a respeito da infância de um personagem sem ter dado aquele tempo precioso de conexão leitor/personagem. Fato este que achei muito arriscado por parte do autor, afinal, eu mesma preciso me simpatizar para querer saber mais. Acho que tanto Emanuel quanto seu criador sabem que só a menção de “bruxo” já é capaz de prender o leitor. À medida que conhecia a vida do bruxo, fui me envolvendo por sua pessoa e sua estória. Não consegui ficar imune a todos os dramas romantizados com maestria por Terci. E, diferentemente de outros livros que trazem bruxos como protagonista, em Caídos, temos o prazer de acompanhar o passo-a-passo dessa iniciação.





Se de início eu sentia curiosidade para saber de seus feitiços, de seus poderes, e ainda em como seria essa figura dentro da ficção tão única de M R Terci; com o avançar das páginas queria saber muito mais que isso. Sentia desejo em conhecer a fundo a personalidade de Emanuel, senti pena pelos dramas que ele passou, e medo em muitas passagens que lhe foi necessária para se tornar um bruxo. 

Emanuel era necromante e se você não sabe o que é isso vou explicar de forma bem resumida: ele consegue evocar os mortos e ainda se comunicar com eles; utilizando-se de meios não lá muito humanitários. 

E assim, conhecemos toda a saga do bruxo, desde sua infância sofrida, sua adolescência cheia de descobertas, até sua fase adulta. 

Esse livro despertou tantas opiniões que estou com medo de soar confusa para vocês. Não consigo ser mestre como meus colegas blogueiros que já resenharam a obra; fico até envergonhada por não ser uma parceira tão profissional quanto os demais. Não consigo fazer uma análise crítica, até porque não sou uma blogueira crítica. Como sempre, irei transmitir os meus sentimentos acerca da leitura. 

Caídos tem tanta riqueza, que é difícil estabelecer um caminho coerente em minha resenha. Irei começar pela escrita. 


Já contei e recontei que o autor resgata nossa língua portuguesa. Em todos os livros do Marcos temos uma linguagem rica, que garante aprendizado. No caso de Caídos, mesmo pra mim que já estou habituada a ler suas obras com frequência, fiquei envergonhada por constatar que sou uma pessoa completamente pobre na minha própria língua. A obra traz um estilo ainda mais rebuscado, acredito que para acompanhar a época do enredo.

Li uma resenha no skoob de um leitor que negativou tal linguagem. Eu acho que ela é justamente um ponto a mais, pois um dos motivos que me fazem ler é justamente para enriquecer meu vocabulário. 

Sobre o enredo, mais uma vez pude me encantar. Não sei explicar veemente, mas o autor mistura sua originalidade com elementos místicos que torna tudo mais interessante. Em Caídos ele trouxe a mitologia grega, que tanto gosto. Aliás, a coerência do autor é incrível. Todos os detalhes acerca do tema abordado, e até mesmo da ficção tratada, condiz perfeitamente com a época em que o enredo se passa. Para quem ama história, com certeza é um prato cheio.



Para aqueles que sempre me perguntam o nível de “medo” da obra: temos elementos que causam medo, mas a forma como o autor colocou, foi mais “romantizada” por assim dizer. Isso, se você for ler levando em consideração os verdadeiros bruxos, não os contemporâneos; por favor, esqueçam da base Harry Potter. Senti que para cada acontecimento, houve um preparo maior. Assim sendo, mesmo em cenas com verdadeiro horror, nos sentimos preparados para aquilo. 

Aliás, senti ainda uma atmosfera completamente diferente das demais obras. Caídos é um horror mais maduro, mais minucioso. É uma leitura mais clássica e abranda quando comparo com as demais obras que já li do autor. 

Por falar em outras obras, também podemos rever personagens. Mas não é como um reencontro. É uma primeira vez. 

Aknoth, que tanto elogiei em Os Santos de Colditz - Temporada II, se mostra aqui ainda mais poderoso. Se em Os Santos eu ficava ansiosa por suas aparições, em Caídos sentia receio e até medo. Ouso dizer que Aknoth é o personagem mais traiçoeiro de Marcos, pois nunca consigo saber sua real intenção; se é ajudar ou atrapalhar. Sempre desconfio de seus métodos. É um personagem incrível, cheio de misticismo, inclusive é um dos que, mesmo com toda essa desconfiança, espero reencontrar em outras obras. 

Meu ser fantástico contemporâneo predileto, a Tebra, também aparece nesta obra. Foi um verdadeiro presente, pois aqui pude conhecer ainda mais sobre sua origem. 

Pra mim, Caídos é a origem de tudo criado por Terci. Por isso, é um livro que sempre terá um espaço vip em minha estante.

Recomendadíssimo!

Nota: 5,0

Resultado de imagem para separador de posts para site
O Autor

M. R. Terci é escritor, roteirista e poeta. Antes de se dedicar exclusivamente a escrita, foi advogado com especialização em Direito do Trabalho e Direito Internacional. Começou a carreira de escritor em 2004, escreveu centenas de contos e recebeu vários prêmios por suas participações em antologias e concursos de poesia.

Nascido em São Paulo, em 1973, este prolífico escritor busca honrar aos Deuses da Criação Literária, devotando-se ao solitário trabalho de traçar destinos através dos meandros do horror sobrenatural.

Sua escrita tem como característica a pesquisa histórica, primando sempre pela composição poética de cada parágrafo penejado. Com base em fatos históricos, o escritor substitui os castelos medievais pelos casarões coloniais, as aldeias de camponeses pelas cidadezinhas do interior, os condes pelos coronéis e as superstições por elementos de nosso folclore e crendices populares, verdadeira transposição do gótico para a realidade brasileira.

Seus livros não são apenas para os fãs do gênero horror. Seu penejar é para quem aprecia uma narrativa envolvente, centrada na experiência subjetiva dos personagens mediante as possibilidades que o contexto sobrenatural de suas estórias permite.

É o criador da série O Bairro da Cripta, composta por contos de terror que colocam os clássicos do terror universal sob o lume dos lampiões de querosene dos sertões paulistanos do século XIX. Os três volumes iniciais da pentalogia, Elegias, Epitáfios e Exéquias, foram publicados pela Editora LP-Books, respectivamente em outubro de 2014, maio de 2015 e junho de 2016. Seguirão, ainda, os Epicédios e as Endechas do Bairro da Cripta.

Escreveu a Trilogia Caídos, livro 1 - Abandonai toda Esperança, livro 2 - A Morte Ressuscitada e livro 3 - A Grande Guerra Sombria, cujos romances, sempre prenhes de elementos históricos do período colonial do Brasil, permeia o universo macabro do Trirregno das Areias Eternas e a luta entre as castas e reinos de bruxos, necromantes e magistas. Inicialmente o livro 1 da série foi lançado pela Editora Multifoco, através do Selo Desfecho.

Desenvolveu a série de horror histórico os Imperiais de Gran Abuelo – As Crônicas de Pólvora e Sangue e As Crônicas dos Negros Céus. A série que mescla história do Brasil, fantasia e horror apresenta os soldados imperiais treinados pelo General Osório no reinado de Dom Pedro II, às voltas com monstros sobrenaturais libertados pelo caudilho Solano López no desfecho da Guerra do Paraguai.

Ao disponibilizar alguns contos de horror em português e inglês pela Amazon, resolveu inovar no formato de publicação de um romance, ao publicar, semanalmente, Os Santos de Colditz, em formato de minissérie de horror em dez episódios que apresentavam o capitão-aviador Garcia e o cabo Franco, soldados brasileiros que lutaram na Segunda Guerra Mundial e que acabaram em um campo de prisioneiros de guerra conhecido como Colditz, no leste da Alemanha. Dado o sucesso alcançado entre os fãs do gênero, A segunda temporada de Os Santos de Colditz já foi concluída e já está integralmente disponível no Kindle Amazon.

O romance O Mythos, em formato e-book, foi disponibilizado na Amazon em outubro de 2016 e concorre ao Prêmio Kindle 2016.


Resultado de imagem para separador de posts para site
Resenhas publicadas no Lua Literária:


  

 

Resultado de imagem para separador de posts para site
É bom contar que o exemplar físico de Caídos está com a triagem esgotada no site de vendas do autor, e lá na Santeria o estoque já está baixo. Se tem interesse, corra!

Gostaram da resenha? Comentem.

Beijos amorzinhos ♥






Post por: Bia Gonçalves
Sua maior paixão são os livros que lhe fazem viajar. Odeia mesmices, por isso adora se aventurar nas páginas de uma boa fantasia e se prender a um terror daqueles de parar o coração.
4 Comentários | BLOGGER
Comentários | FACEBOOK

4 comentários:

  1. Oi, Bia. Eu juro que estava bem desanimada com o livro já que ele não faz bem o meu estilo, mas falou em Inquisição logo me animei. Eu acho fenomenal tudo que se refere essa época, gosto de saber mais sobre o que aconteceu e como eram as coisas e por isso fiquei louca quando o personagem acaba passando por isso. Vou tentar dar uma olhadinha no livro depois.
    Beijo! Leitora Encantada
    Participe do Sorteio de Natal, ainda dá tempo!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Oi Miriã! Eu sou completamente apaixonada pelas obras do autor, e Caídos, como pode perceber na resenha, me encantou. Traz contexto histórico também, então se você gosta, precisa realmente ler esse livro. Fantasia, horror e história de um jeito único.
      Beeijos

      Eliminar
  2. Olá, Bia! Adorei sua resenha.
    Caídos me despertou interesse por vários motivos, entre eles o conteúdo histórico e a mitologia usada. Ele vai entrar, com toda a certeza, para a lista de 2017, junto das outras obras do autor rs
    Recentemente conheci o autor nacional Décio Gomes, já ouviu falar? Li "Albertine" dele e simplesmente me apaixonei pela mitologia criada, o ano começou ótimo para os nacionais na minha estante haha

    Abraços!
    http://lupiliteratus.blogspot.com.br/

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Oi Fabio!!
      Tenho um leve palpite de que você iria amar essa leitura.
      Não conheço o autor que citou, vou procurar saber mais a respeito.
      Beeijos

      Eliminar

 
© Lua literária - Agosto/2016. Todos os direitos reservados.
Criado por: Maidy Lacerda
Tecnologia do Blogger.
imagem-logo