Lua Cheia: O horror existe até nos contos de fadas

2 de março de 2017
Olá amores!! A Lua agora entra numa nova fase. Esqueçam as lindas estórias de amor que os estúdios Disney nos mostrou a partir dos contos de fadas.

Vamos conversar sobre os enredos originais das mais famosas princesas.

Sei que vocês estão cansados de ver esse tipo de postagem por ai, mas prometo que tentarei abordar de uma forma diferente.





Quando paramos para ler diversos artigos que trazem o conteúdo cultural dos contos de fadas, só eles por si só já me passam horror. Em sua maioria, eram contados para as crianças se conformarem com seu destino. 

Vejam A Bela e a Fera. Essa história era contada, em muitas culturas, para meninas, ainda pequenas, para que as mesmas se conformassem com os casamentos arranjados. 

Você pode não querer ler essas versões, mas, sem querer forçar a barra, como pode sair por ai dizendo amar uma princesa se nem sabe quem realmente a criou?

Senhoras e senhores, apresento-lhes o horror por dentro dos contos de fadas (primeira de muitas partes).

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Cinderela - A Gata Borralheira

Existem inúmeras versões desse conto. Acredita-se que a mais antiga teve origem na China, em 860 a.C.. Era uma história contada tradicionalmente, boca a boca; até que em 1697, Charles Perrault a transformou em literatura. Baseando-se num conto italiano popular chamado La Gatta Cenerentola (A Gata Borralheira), o autor francês trouxe um enredo de superação, com elementos nobres (roupas luxuosas, protagonista delicada). É nesta versão que temos a tão linda fada madrinha.

A Cinderela de Perrault necessitava de um salvamento. Teve um final feliz, e as antagonistas tiveram um final merecido.


Por volta de 1810, os Irmãos Grim trouxeram uma adaptação mais sombria para o conto. A versão dos Irmãos Grim é com certeza a mais cruel. Não temos fada madrinha e nossa protagonista não é tão conformada com sua situação.


Temos todo o contexto que já conhecemos muito bem, a diferença é que Cinderela conta com a ajuda de pombos. A magia não está na fada, mas sim num galhinho de uma árvore que cresceu no túmulo de sua mãe. Ela profere palavras mágicas e consegue transformar seu pedido de ir ao baile em realidade. O sapato de cristal é perdido na ocasião, e o príncipe, completamente apaixonado, sai em busca de sua amada.

A madrasta a impede de experimentar o sapato, fazendo com que sirvam, a todo custo, em suas filhas. 

Na primeira, fica apertado no dedão, assim sendo a madrasta de Cinderela orienta sua filha a cortá-lo, já que não precisará do mesmo quando for rainha. O sapato coube, e ao ir embora, o príncipe ouviu o cantarolar dos pombos que pediam para que olhasse o sangue que escorria pelo sapato da moça.

Ele voltou então para a casa de Cinderela, e a madrasta apresentou sua outra filha. Nesta, o sapato ficou apertado no calcanhar, e sua mãe então orientou que a menina cortasse parte dele. Desta forma, o sapatinho coube perfeitamente. Ao ir embora, mais uma vez os pombos cantarolaram, o príncipe viu o sangue, e soube que não era quem procurava.


Já que os pombos cantaram que a moça certa estava na mesma casa das irmãs que ele escolhera erroneamente, o príncipe insistiu com o pai de Cinderela para ver todas as moradoras da casa. E assim, o sapato coube em sua dona verdadeira.

Até aqui essa história já é um tanto macabra, mas o pior está por vir. Os pombos que tanto amavam Cinderela, viviam ao seu redor. No dia de seu casamento, as filhas de sua madrasta, sempre interesseiras, compareceram à festa fingindo-se de amigas. Os pássaros as atacaram, furando seus olhos. Ao final, Cinderela teve seu felizes para sempre, mas as antagonistas, foram severamente castigadas.
A Bela Adormecida

Outro conto de origem boca a boca que ganhou as páginas da literatura. A primeira versão, com publicação datada em 1634, foi escrita pelo autor italiano Giambattista Basile. O título era Sol, Lua e Talia.

Talia era nossa Bela, filha de um senhor muito respeitável. Quando nascera, sábios e grandes astrólogos disseram ao seu pai que sua vida seria ameaçada por uma farpa de linho. A partir daí o enredo é o mesmo conhecido: ao ver uma mulher fiando linho, se interessa, uma farpa entra no seu dedo e ela cai desacordada.


Seu pai não aceita a ideia de enterrar a filha, colocando-a em uma de suas propriedades rurais. Muito tempo se passa até que um rei, ao passar por tal propriedade enquanto caçava, vê a moça e se apaixona perdidamente.

Ele não a beija. Ele tem relações sexuais com o corpo inerte de Talia.

Vai embora dali, mas o que ninguém poderia imaginar é que a moça ficaria grávida. Talia mesmo adormecida gera duas crianças, Sol e Lua. Num certo dia, um dos bebês não encontrando o seio da mãe, chupa o dedo da mesma arrancando a farpa, fazendo com que ela despertasse do seu sono profundo. Até ai as coisas já estão macabras, mas tem mais!

O rei volta para a tal propriedade e se depara com Talia e seus dois filhos. Ele não pode assumi-los, pois já é casado. Cheio de amor, acaba por falar o nome dos três durante seu sono, e sua esposa ouve. Cheia de fúria, ela ordena que o cozinheiro do reino mate e cozinhe os gêmeos e ainda condena Talia a fogueira.

O rei salva sua amada e as crianças são salvas pelo cozinheiro.

Sinistro não é? Particularmente, gosto mais dessa versão.
A pequena Sereia

No especial Rebobina, uma leitora compartilhou nos comentários uma versão bem triste da princesa. E eu fui atrás para pesquisar essa versão.

Em minha opinião, até mesmo a adaptação da Disney tem um lado triste e sombrio. Afinal, nossa protagonista deixou para trás toda sua essência para seguir seu marido. Estaria ela protegida? Seria mesmo um feliz fim?

A versão original é de autoria do dinamarquês Hans Christian Andersen, de 1848. Ela também era uma linda princesa, vivia com sua família no fundo do mar como na versão Disney. E assim como a conhecida Ariel, a pequena Sereia de Andersen também tinha muita curiosidade sobre a superfície.

Num dia qualquer, um navio naufraga e ela salva um belo rapaz de se afogar. O leva para a areia, deixa-o desacordado, voltando para as profundezas do oceano. Uma humana o encontra e procura por socorro. A sereia se apaixonara no instante em que o vira, se tratava de um lindo príncipe. 

A princesa sabia bem que seria impossível um reencontro, e mesmo se houvesse, eles eram completamente diferentes. Assim sendo, procura uma feiticeira para ajudá-la

A mesma transforma a Sereia em humana, mas com uma condição: ela perderia o que tinha de mais belo - sua voz.


Na narrativa, a dor que a Sereia passa nessa transformação é perturbante, de acordo com os relatos dos leitores. A cada passo, uma dor forte e insuportável. E tem mais: caso o príncipe não se casasse com ela, sua sentença seria a morte.

Por Deus, não acredito nesse tipo de amor. Ao meu ver, essa Sereia precisa sair mais, conhecer outros boys. 

Voltando: Acaba que o tal príncipe a encontra desacordada por causa da dor, mas ele não se apaixona, pois acredita que sua salvadora foi a tal humana que estava na encosta. Ele tem um carinho pela Sereia, porém é algo mais protetor; a enxergava como uma criança. Assim, num belo dia o príncipe reencontra a tal humana e marca seu casamento.


Seria o fim da Sereia. Mas suas irmãs, para salvá-la, trocaram seus lindos cabelos com a feiticeira por um punhal. Se a princesa encravasse o punhal no coração do príncipe, o feitiço estaria quebrado.

Mas ela estava apaixonada. Jamais faria isso. Então, um dia após o casamento do seu amado, nossa linda Sereia morre ao se jogar no mar, e se transforma em espuma.

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A conversa tá boa demais, mas esse post já está imenso. Em breve, volto com a segunda parte que traz os enredos originais e sombrios de outras princesas.

Os desenhos das princesas macabras (essas imagens lindas logo após os subtítulos) são do ilustrador Jeffrey Thomas.

Me contam: vocês gostaram? Me diverti demais pesquisando a respeito dos contos, foi ótimo fazer esse post. Viram que tudo tem horror? Do mesmo jeito que contos de fadas escondem fatos macabros, o terror e o horror também tem fatos macabros que escondem contos de fadas. Eita que isso meu deu uma ideia...

Beijinhos


Fontes de Pesquisa:


Post por: Bia Gonçalves
Sua maior paixão são os livros que lhe fazem viajar. Odeia mesmices, por isso adora se aventurar nas páginas de uma boa fantasia e se prender a um terror daqueles de parar o coração.
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12 comentários:

  1. Olá Bia, quando era pequena não sabia e nem conhecia as verdadeira histórias dos contos de fadas, depois descobrir que foram adaptadas pela Disney mas é completamente diferente. Um dia vou ler as histórias dos irmãos Grimm, mais no momento fico com a fantasia da Disney kkkkkk. Amei o post deve ter sido bem interessante essa pesquisa.

    www.mundofantasticodoslivros.blogspot.com

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    1. Oi Mila! Eu também fui muito alheia aos contos originais, e para te falar a verdade, mesmo conhecendo as verdadeiras versões, ainda não sabia de muita coisa rsrs. Fui descobrir quando pesquisei a respeito.
      Beijos

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  2. Oi, Bia!
    Eu já sabia que a versão da Disney era muito fofinha. Quando fui atrás das histórias de verdade, eu fiquei chocada.
    olha la minha resenha de roseblood https://balaiodebabados.blogspot.com.br/2017/02/resenha-138-roseblood.html
    pensei que tu tinha lido

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    1. Oi Lu! Fiquei chocada com a versão da Bela Adormecida. Muito sinistro né?
      P.S.: já deixei meu comentário lá.
      Beijos

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  3. Amoooooo essas versões originais! É tão estranho pensar em tudo isso rolando na época em que foram escritos... Meu preferido desses é o da Bela Adormecida heheh
    Beijinhos e já estou seguindo, aliás, que blog maravilhoso!!!
    Blog Penúltima Janela

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    1. Oi Ana!! Muito estranho mesmo. Li algumas perspectivas da psicologia, e ainda assim, não consigo digerir tudo isso.
      Obrigada, fico feliz que tenha gostado. Volte sempre ♥

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  4. Oi Bia!! Eu só não sabia da Pequena Sereia! ainda fico chocada com a história da Bela Adormecida e o estupro.... é um horror mesmo! \o/

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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    1. Oi Mi! Também fico pasma com essa versão.
      Beijos

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  5. Meu deus, esse post chegou na hora certa! E você salva minha vida pela segunda vez só hoje haha

    Por preguiça (sim, eu assumo) nunca procurei pelas versões antigas dos contos, mas sempre tive curiosidade. Seu post me animou e já estou lendo tudo, além de procurar mais sobre as outras. Gostaria muito de escrever um conto baseado em uma dessas, quem sabe agora não vai, né? kk

    Beijo!
    http://lupiliteratus.blogspot.com.br/

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    1. kkkkkkkkkk Eu fico feliz que tenha te salvado e que ainda se inspirou para escrever. Espero que escreva mesmo viu?
      Beijos

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  6. Oi Bia. Sempre me perguntei como seria as versões originais, acho-as muito interessantes, mas eu amo A Pequena Sereia e fiquei bem triste com a versão dela. Morrer por causa de homem? Jamais! Estou ansiosa pela segunda parte.
    Beijo, Leitora Encantada
    Participe do sorteio do blog e concorra a três livros

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    1. Oi Miriã! Eu também fiquei muito triste com a versão original. Decepcionante eu diria. Mas a versão Disney também é triste a meu ver rs.
      Beijos

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