Resenha: Deuses Tupiniquins (vol. 1, 2 e 3) - M R Terci (O Mythos)

28 de março de 2017
Título: Deuses Tupiniquins
Série O Mythos - Livro II
Autor: M R Terci
Editora: Publicação Independente
Ano: 2017
Comprar: Volume I | Volume II | Volume III
Sinopse: Bem-vindos a um mundo governado pelo caos, pela fome e pela miséria. Um lugar escuro, onde poder vale mais do que vida e o sangue é a única moeda de troca. Bem-vindos ao exato momento em que toda loucura e perversidade do abismo abre o banquete; a sujeira da alma humana será servida numa bandeja de prata à míngua das mais nobres virtudes e das verdades mais incontestáveis da natureza. Bem-vindos, DEUSES TUPINIQUINS, ao nosso mundo moderno




 Literatura Nacional, Horror, Ficção, Suspense, Fantasia, Série

 Esta resenha poderá conter um leve spoiler de O Mythos

Deuses Tupiniquins é um minissérie literária dividida em três episódios, lançada na Amazon.

É uma sequência de O Mythos. Para quem já o leu, sabe bem que temos um cenário bem diferente das demais obras já conhecidas do autor. O folclore brasileiro está ainda mais presente, misturado à literatura incrível de Monteiro Lobato.

É recomendável ler primeiro O Mythos para depois embarcar na minissérie.

Em Deuses Tupiniquins a primeira coisa a me chamar atenção foi a escrita do autor. Seguindo sempre a linha de O Mythos, ela se mantém leve.

É um mesclado de fantasia, horror e suspense que deu muito certo. Mas a forma como é contada, é capaz até de arrancar risos em alguns momentos.

Vamos falar sobre o enredo, afinal é isso que vocês querem né?

Retornamos à Cidade Baixa. Encontramos um cenário desesperador, a população sentia medo. Todas as autoridades local foram mortas dentro da própria delegacia. O único suspeito, Pastore, estava foragido. Será que um único homem seria forte e esperto o suficiente para matar um delegado, um carcereiro, um inspetor e um escrivão? Não se sabe, mas essa caso levantou várias teorias, como ataque terrorista, facções e até mesmo seitas religiosas.
“As noites na Cidade Baixa são como as profecias apocalípticas; nem sempre aparentam acontecer, mesmo quando já aconteceram.”
O fato é que a população já não confiava nas autoridades que tinham o dever de protegê-las.

Descrença. Algo muito comum em nossa realidade. As crenças estão sendo apagadas, isso é fato. Na ficção não é muito diferente.

Para que vocês entendam toda a mitologia envolvida nesse enredo, vou pedir para que reflitam sobre as crenças de seus avós. Eu tenho certeza que, principalmente se eles foram criados em fazendas, vão te garantir que já viram alguma criatura folclórica. Dependendo da sua idade, vai testemunhar que seus pais duvidam um pouco da estória de seus avós. E eu posso afirmar que você tem plena convicção de que eles estão mentindo.
“Os milagres são misteriosos, essa é a real essência do milagroso – o mistério. Assim, milagres não deveriam carecer de validação, certificação do Vaticano, da televisão ou de análise em aparatos de raios-x, de ressonância magnética, exames e provas outras senão a simples crença.”
Hoje em dia não acreditamos mais em deuses folclóricos. O Curupira, por exemplo, houve tempos que os roceiros deixavam fumo e pinga como oferenda, para que ele não atrapalhasse sua lavoura; já que é um grande protetor das matas. Na atualidade, acredito que isso nem deva acontecer mais.

Na ficção de M R Terci o cenário não é diferente da nossa realidade. Essas entidades folclóricas estão a beira do esquecimento, completamente adormecidas. Agora, e se esse esquecimento despertasse a fúria divina?
“Que chance um mortal tem contra a fúria de um deus?”
Se você não sente medo da fúria dos Deuses Tupiniquins precisa começar a repensar em seus conceitos... 
“Quem acredita dá like. Quem crê compartilha.”
Rabicó, personagem secundário de O Mythos, retorna à esta sequência como protagonista. Ele está a procura de seu amigo Pastore e contará com a ajuda de Enxaqueca, cara durão dono do boteco Sete Palmos, para encontra-lo.

Onde estaria Pastore? Será que seu sumiço estaria envolvido com todo o caos que se encontrava na Cidade Baixa?
“Para alguns venenos não havia remédio e por serem de tal forma vivenda intolerável aos seres humanos, esses tormentos tornavam-se prendas das mais cobiçadas pelos deuses.”
Regrado de muito suspense e aventura, Deuses Tupiniquins é uma leitura completamente prazerosa e envolvente. 

Eu amo livros que trazem o folclore nacional, que anda tão esquecido em nossa contemporaneidade. Terci nos presenteia não só com uma obra de ficção, ele faz todo um resgate da nossa cultura; e ler um livro onde você pode tirar um aprendizado de sua própria cultura é algo realmente raro hoje em dia. Acredito que precisamos de mais obras que façam isso.
“Sim, os deuses eram caprichosos, mas precisam da fé humana e, para crer, os humanos precisam ver acontecer.”
Como uma apaixonada por folclore (sim, vou repetir isso várias vezes para vocês terem certeza que amo mesmo), a leitura me proporcionou muita diversão e prazer. É um assunto que por si só  já me encanta, e dentro de todo contexto criado pelo autor, fiquei diante de uma obra que me deixou maravilhada.

Os personagens não deixam a desejar. Rabicó e Enxaqueca conquistam sem precisar fazer muito. São típicos brasileiros. E como já disse em outras resenhas de obras do autor, é um ponto super positivo essa criação de personalidades comuns à nossa realidade.

Analisando os Deuses por um momento, temos participações medonhas de Anhangá, Tupã, Mãe Tiranabóia, entre outros (em breve trarei um post para falar dessas entidades). Terci manteve suas características principais, mas introduziu alguns elementos para que se encaixassem na realidade de seu enredo. O resultado disso? Bem, a meu ver ficou fodasticamente incrível.

Temos o horror. Mas ele foi tão bem “temperado” neste enredo, que poderá ser facilmente apreciado mesmo por quem não lê livros do gênero. Se gosta de fantasias mitológicas, precisa definitivamente conhecer essa obra e ponto final.

Eu ri muito em algumas passagens, tive medo em outras, fiquei de olhos arregalados e com o coração na mão em muitos momentos também. Vocês bem sabem que amo essa mistura! Sinto necessidade em ter esse misto de sensações.

Por isso, a sequência do meu livro contemporâneo favorito da vida, com toda certeza ocupa o mesmo patamar.

Nota: 5,0 (favorito da vida)
Sobre o autor:


M. R. Terci é escritor, roteirista e poeta. Antes de se dedicar exclusivamente a escrita, foi advogado com especialização em Direito do Trabalho e Direito Internacional. Começou a carreira de escritor em 2004, escreveu centenas de contos e recebeu vários prêmios por suas participações em antologias e concursos de poesia.

Nascido em São Paulo, em 1973, este prolífico escritor busca honrar aos Deuses da Criação Literária, devotando-se ao solitário trabalho de traçar destinos através dos meandros do horror sobrenatural.

Sua escrita tem como característica a pesquisa histórica, primando sempre pela composição poética de cada parágrafo penejado. Com base em fatos históricos, o escritor substitui os castelos medievais pelos casarões coloniais, as aldeias de camponeses pelas cidadezinhas do interior, os condes pelos coronéis e as superstições por elementos de nosso folclore e crendices populares, verdadeira transposição do gótico para a realidade brasileira.

Seus livros não são apenas para os fãs do gênero horror. Seu penejar é para quem aprecia uma narrativa envolvente, centrada na experiência subjetiva dos personagens mediante as possibilidades que o contexto sobrenatural de suas estórias permite.

É o criador da série O Bairro da Cripta, composta por contos de terror que colocam os clássicos do terror universal sob o lume dos lampiões de querosene dos sertões paulistanos do século XIX. Os três volumes iniciais da pentalogia, Elegias, Epitáfios e Exéquias, foram publicados pela Editora LP-Books, respectivamente em outubro de 2014, maio de 2015 e junho de 2016. Seguirão, ainda, os Epicédios e as Endechas do Bairro da Cripta.

Escreveu a Trilogia Caídos, livro 1 - Abandonai toda Esperança, livro 2 - A Morte Ressuscitada e livro 3 - A Grande Guerra Sombria, cujos romances, sempre prenhes de elementos históricos do período colonial do Brasil, permeia o universo macabro do Trirregno das Areias Eternas e a luta entre as castas e reinos de bruxos, necromantes e magistas. Inicialmente o livro 1 da série foi lançado pela Editora Multifoco, através do Selo Desfecho.

Desenvolveu a série de horror histórico os Imperiais de Gran Abuelo – As Crônicas de Pólvora e Sangue e As Crônicas dos Negros Céus. A série que mescla história do Brasil, fantasia e horror apresenta os soldados imperiais treinados pelo General Osório no reinado de Dom Pedro II, às voltas com monstros sobrenaturais libertados pelo caudilho Solano López no desfecho da Guerra do Paraguai.

Ao disponibilizar alguns contos de horror em português e inglês pela Amazon, resolveu inovar no formato de publicação de um romance, ao publicar, semanalmente, Os Santos de Colditz, em formato de minissérie de horror em dez episódios que apresentavam o capitão-aviador Garcia e o cabo Franco, soldados brasileiros que lutaram na Segunda Guerra Mundial e que acabaram em um campo de prisioneiros de guerra conhecido como Colditz, no leste da Alemanha. Dado o sucesso alcançado entre os fãs do gênero, A segunda temporada de Os Santos de Colditz já foi concluída e já está integralmente disponível no Kindle Amazon.

M. R. Terci escreveu, ainda o romance O Mythos, em doze episódios envolvendo o folclore brasileiro, Monteiro Lobato e muito sangue. 

Atualmente, escreve a continuação de os Imperiais de Gran Abuelo e se prepara para a terceira temporada de Os Santos de Colditz.

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Outras resenhas de obras do autor já publicadas no blog:

 


 

 

 


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Contem pra mim: o que acharam da resenha? Sentiram interesse em ler o livro?

Beijinhos



















































Post por: Bia Gonçalves
Sua maior paixão são os livros que lhe fazem viajar. Odeia mesmices, por isso adora se aventurar nas páginas de uma boa fantasia e se prender a um terror daqueles de parar o coração.
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8 comentários:

  1. Olá! Não conhecia esses livros, a sinopse é bem interessante e nos remete para uma história bem diferente do usual, todavia não é meu gênero preferido e talvez não leria, ainda assim sua resenha ficou ótima, muito bem escrita e desenvolvida, adorei mesmo!
    http://www.leitorasvorazes.com.br/

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    1. Oi amore!!
      Muito obrigada, fico toda boba com seus elogios rs.
      Beijos ♥

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  2. Oi!
    Ual, não conhecia essa série, mas achei essa coisa de misturar e explorar o folclore brasileiro muitoo interessante!
    Adorei, parabéns pela resenha!
    Beijão
    http://www.a-toca.com

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    1. Obrigada Lua! Espero que, qdo tiver oportunidade, conheça a obra.
      Beijinhos

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  3. Oi, Bia. Acredita que nunca ouvi falar do livro? Mas achei bem legal a premissa porque raramente vejo histórias que retratam o folclore brasileiro, e olha que há muita coisa boa para ser explorada ainda. Mesmo sendo horror, você citou que o livro tem partes engraçadas, provavelmente só por isso o livro me chamou atenção.
    Beijo! Leitora Encantada

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    1. Oi amore!!!
      Espero que leia, é uma obra muita rica em muitos outros aspectos também.
      Beijos

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  4. Oi, Bia!
    Nossa, adoro suas resenhas sobre os livros do autor. Sempre fico louco para ler, já estou até abrindo espaço na tbr de abril pra comprar o Mythos na amazon haha Adoro esse foco na literatura nacional <3

    Abraço!
    https://lupiliteratus.blogspot.com.br/

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    1. Oi Fabio! Já disse e repito: recomendo muito rsrs.
      Espero que você leia mesmo, fico ansiosa para saber sua opinião.
      Beijos

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