Resenha: O Bairro da Cripta - Os Epitáfios #2 - M R Terci (Série O Bairro da Cripta)

7 de março de 2017
Título: O Bairro da Cripta - Os Epitáfios
Série O Bairro da Cripta - Livro II
Autor: M R Terci
Editora: LP - Books
Ano: 2015
Páginas: 164
Skoob
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Sinopse: "Venham comigo. Vamos por esta estrada. Pelas colinas escarpadas, lugar de vento frio que faz gelar a alma de toda gente. Em redor de imenso e desfolhado bosque de ipês, dar-vos-ei conhecimento daquilo que espreita por este caminho. Vou dizer-vos algo que não querem ouvir. Vou mostrar onde está escuro."Epitáfios é o segundo tomo da série O Bairro da Cripta, publicada pela LP-Books. Uma ode ao ossuário composta por 15 contos que relocam os hórridos horrores da Era Vitoriana para as cercanias da provinciana Tebraria, no interior do Estado de São Paulo.
Por lá, o centenário cemitério se confunde, sobremodo, com as decrépitas e mal iluminadas ruas do Bairro da Cripta, onde toda gente sabe, a morte edificou seu Majestoso Trono de levianas mortandades. Nessas paragens, a cabeça do rei da peste acoita-se do frio noturno sob a Coroa de Vermes; o escriba do diabo exige do passante incauto a vermelha rubrica no Livro do Fim dos Dias; um atemporal mal deambula, sob a sombra de modernas edificações, ao escrutínio de um antigo Diário; a voz conspurcadora, imersa na mais profunda treva de uma mansão, inunda o coração humano de dizeres de morte; espíritos frios e cruéis, de indevassáveis vontades, exigem habitar corpos outros de estouvados cidadãos; corredores que se aprofundam para o seio da terra, terrores indescritíveis e tesouros incalculáveis descansam nas catacumbas sob o velho sepulcrário.
Vinde, com passos de morto trilhar, através das mais aflitivas emoções do espírito humano - OH, heróis! - descei às limosas escadas, percorrei os estreitos e apavorantes caminhos do mal afamado Bairro da Cripta.
Horror, Série, Literatura Nacional, Suspense e Mistério, Ficção

Não contém spoilers!! Leia sem medo 

Às vezes viajamos para alguns lugares e sentimos aquela tremenda vontade em voltar. Já aconteceu com vocês?

Comigo acontece sempre, mas existe uma cidade; um bairro para ser mais específica, que meu retorno era certeiro. Eu fiquei contando os dias para viajar novamente pra lá, pois minha primeira estadia foi extremamente prazerosa.

Estou falando de O Bairro da Cripta, que infelizmente (ou felizmente, depende do ponto de vista), é um lugar que só existe na ficção. O livro foi tão bem escrito que consegui visualizar exatamente o local, imortalizar histórias e personagens em minha memória. Na minha imaginação, existe e ponto final.

Para quem não conhece a série, trata-se de uma pentalogia de livros de horror, que traz contos horripilantes que ocorreram num tal da Bairro da Cripta, localizado na cidade fictícia de Tebraria, interior de São Paulo.
“Mas, você sabe como são estas cidades pequenas, não? Cheias de superstição e mitos de toda espécie sobre bruxos, fantasmas e outras coisas inomáveis.” – página 77.
A leitura do livro é realmente uma viagem. Geralmente, quando gostamos muito de uma obra que está em seu primeiro volume, ficamos com receio dos próximos que virão, afinal de contas há um raciocínio de que o volume a seguir deverá superar ou se manter igual ao primeiro.

Eu não tive esse sentimento. Quando soube que teria mais livros do conto, fiquei feliz em saber que poderia “retornar” à esse lugar tão mal afamado.

No segundo tomo, temos a oportunidade de rever alguns personagens, mas as estórias são inéditas. Ainda temos o prazer em conhecer novos moradores e até mesmo turistas do bairro.

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Assim como ocorreu durante a leitura do primeiro, o segundo tomo também me prendeu por completo. Fiquei envolvida pelo livro como um todo, sendo difícil falar sobre os contos que mais gostei, já que todos eles foram deliciosos em ser lidos.

O autor explora muito nossa imaginação, bem como nossos sentidos. Sua narrativa não é apelativa, o medo muitas vezes fica com um quê de subentendido.

O livro não precisa ser lido na ordem. Podemos ler aleatoriamente, mas prefiro seguir o método tradicional. Como todos os contos tem basicamente o mesmo local, eles acabam se interligando de alguma forma. É possível reencontrarmos personagens, como por exemplo, o Velho Ari, coveiro que recebeu a alcunha de prefeito da Cripta.

Esse personagem é aquele que tudo sabe; testemunhou a maioria (se não todos) os mistérios do local. E ainda conhece todos os moradores do bairro (dos vivos aos mortos).

Vou falar um pouquinho sobre alguns dos contos:

Fuga da cidade do rádio seria aquele que eu indicaria até para os que não gostam de horror. Com uma linguagem completamente poética, talvez possa ser delírio desta leitora, mas o considerei apaixonante. Surpreendente e tristemente apaixonante. É um conto triste e curto, mas acredito que independente do tipo, qualquer leitor ficaria preso e surpreso à ele.

Desde que concluí a leitura de Caídos sabia que reencontraria Aknoth nesse tomo. Ele aparece no conto Aknoth – A Serpente. De todos os personagens que já conheci do autor, Aknoth é realmente o mais traiçoeiro. Mesmo amando sua essência, sempre sinto medo em suas aparições. Aknoth é muito poderoso e sabe disso. Neste conto, uma mulher misteriosa chamada Karen, sente curiosidade em conhecer os mistérios dessa serpente. Não posso trazer muitos detalhes, mas diante de um dos personagens mais fascinantes de Terci, Karen acabou tendo toda minha atenção. E acredito que ela mereça mais aparições (na mitologia Terci tudo é possível).
“(...) Karen não frequentava igrejas. A doce garota entendia que o Reino de Deus estava dentro do coração dos homens e que instituições mundanas serviam apenas para modelar o ser e deturpar seus corações, imputando-lhes o que é certo e o que é errado.” - página 35
Uma voz na escuridão foi pra mim o conto mais perturbante. Senti medo, aflição. Apesar de terem a mesma essência, cada conto tem sua particularidade. E neste, o medo do desconhecido foi colocado em jogo.

O Campeão também foi um conto delicioso. Imaginem uma luta contra o próprio demônio?
“Nada na vida vem fácil! Quando isso acontece é provável que mais tarde pague o mais caro dos preços.” – página 119.
Não é que exista um conto favorito, mas teve um que foi tão incrível, que talvez beire o meu favoritismo. Acreditam que me sinto mal em confessar isso? (rs).

O relógio Capadocci, em minha opinião, foi o que trouxe mais fantasia ao livro. É mais um que agradaria um amplo público de leitores. Só para que vocês tenham uma noção do que se trata o conto, temos um relógio “mágico” muito poderoso. Ele está nas mãos de uma pessoa que não conhece seu valor. Qual seria o poder desse utensílio? 
Acredito que o autor poderá explorar tal utensílio em muitas outras histórias.

Muito suspense ronda o livro. O autor tem uma capacidade incrível em prender, instigar e surpreender. Na maioria dos livros de contos, não lemos numa toada só, eu sinto uma necessidade em parar para absorver, entendem? Neste caso, mesmo com os desfechos sem pontas soltas de cada estória, ficamos ansiosos por mais, somos tomados por aquela vontade em avançar páginas e ao mesmo tempo não queremos que o livro acabe. Por sorte, é uma série.

Recomendadíssimo!
“Guardarei sigilo do que vi neste pandemônio sitio, jamais revelarei a natureza dos ritos que testemunhei. Devo queimar estas anotações.” – página 89.
Nota: 5,0 
Sobre o autor:

M. R. Terci é escritor, roteirista e poeta. Antes de se dedicar exclusivamente a escrita, foi advogado com especialização em Direito do Trabalho e Direito Internacional. Começou a carreira de escritor em 2004, escreveu centenas de contos e recebeu vários prêmios por suas participações em antologias e concursos de poesia.

Nascido em São Paulo, em 1973, este prolífico escritor busca honrar aos Deuses da Criação Literária, devotando-se ao solitário trabalho de traçar destinos através dos meandros do horror sobrenatural.

Sua escrita tem como característica a pesquisa histórica, primando sempre pela composição poética de cada parágrafo penejado. Com base em fatos históricos, o escritor substitui os castelos medievais pelos casarões coloniais, as aldeias de camponeses pelas cidadezinhas do interior, os condes pelos coronéis e as superstições por elementos de nosso folclore e crendices populares, verdadeira transposição do gótico para a realidade brasileira.

Seus livros não são apenas para os fãs do gênero horror. Seu penejar é para quem aprecia uma narrativa envolvente, centrada na experiência subjetiva dos personagens mediante as possibilidades que o contexto sobrenatural de suas estórias permite.

É o criador da série O Bairro da Cripta, composta por contos de terror que colocam os clássicos do terror universal sob o lume dos lampiões de querosene dos sertões paulistanos do século XIX. Os três volumes iniciais da pentalogia, Elegias, Epitáfios e Exéquias, foram publicados pela Editora LP-Books, respectivamente em outubro de 2014, maio de 2015 e junho de 2016. Seguirão, ainda, os Epicédios e as Endechas do Bairro da Cripta.

Escreveu a Trilogia Caídos, livro 1 - Abandonai toda Esperança, livro 2 - A Morte Ressuscitada e livro 3 - A Grande Guerra Sombria, cujos romances, sempre prenhes de elementos históricos do período colonial do Brasil, permeia o universo macabro do Trirregno das Areias Eternas e a luta entre as castas e reinos de bruxos, necromantes e magistas. Inicialmente o livro 1 da série foi lançado pela Editora Multifoco, através do Selo Desfecho.

Desenvolveu a série de horror histórico os Imperiais de Gran Abuelo – As Crônicas de Pólvora e Sangue e As Crônicas dos Negros Céus. A série que mescla história do Brasil, fantasia e horror apresenta os soldados imperiais treinados pelo General Osório no reinado de Dom Pedro II, às voltas com monstros sobrenaturais libertados pelo caudilho Solano López no desfecho da Guerra do Paraguai.

Ao disponibilizar alguns contos de horror em português e inglês pela Amazon, resolveu inovar no formato de publicação de um romance, ao publicar, semanalmente, Os Santos de Colditz, em formato de minissérie de horror em dez episódios que apresentavam o capitão-aviador Garcia e o cabo Franco, soldados brasileiros que lutaram na Segunda Guerra Mundial e que acabaram em um campo de prisioneiros de guerra conhecido como Colditz, no leste da Alemanha. Dado o sucesso alcançado entre os fãs do gênero, A segunda temporada de Os Santos de Colditz já foi concluída e já está integralmente disponível no Kindle Amazon.

M. R. Terci escreveu, ainda o romance O Mythos, em doze episódios envolvendo o folclore brasileiro, Monteiro Lobato e muito sangue. 

Atualmente, escreve a continuação de os Imperiais de Gran Abuelo e se prepara para a terceira temporada de Os Santos de Colditz.

Outras obras já resenhadas no blog:

   


 

 


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Sou fã de carteirinha e me sinto completamente honrada em resenhar as obras do autor. Como já disse nos outros livros resenhados aqui no blog, é uma tarefa muito difícil colocar para fora todos os sentimentos que me foram invadidos durante a leitura.

Já leram? Gostaram da resenha? Não esqueçam de deixar um comentário!!

Beijos




Post por: Bia Gonçalves
Sua maior paixão são os livros que lhe fazem viajar. Odeia mesmices, por isso adora se aventurar nas páginas de uma boa fantasia e se prender a um terror daqueles de parar o coração.
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