Entrevista com o autor Vitor Abdala

20 de abril de 2017
Olá lunáticos!!

Vitor Abdala é um autor nacional que conheci recentemente através da fanpage do blog. Ele é um cara acessível, muito educado e claro, talentoso.

Tive a oportunidade em ler suas duas obras já publicadas e adorei a experiência. O convidei a ceder uma entrevista para o blog e ele, sempre gentil, topou na hora.

Hoje vocês poderão conferir o nosso bate-papo e adianto: está bom demais!




Bia: Como foi sua introdução ao meio literário?

Vitor: Acho que como todo escritor, comecei ainda criança. Eu escrevia livrinhos a caneta e dava para amigos e família lerem. Quando tinha, acho, 14 anos, escrevi uma peça de teatro que foi encenada por uma companhia teatral da minha escola. Depois comecei a escrever histórias e mandar para editoras. Uma delas, cheguei a imprimir e a vender para amigos e familiares; quando eu tinha 18 anos. Depois, entrei na faculdade de Comunicação e comecei a trabalhar como jornalista. Desde então, praticamente desisti de escrever ficção. Só voltei em 2015, quando tive a ideia de lançar Tânatos



Bia: Da onde vem sua inspiração para escrever?

Vitor: A ideia simplesmente surge, mas ela só se transforma em história se eu der a possibilidade dela se desenvolver. Muitas vezes, uma boa ideia surge, mas eu simplesmente ignoro-a e ela morre. Às vezes a inspiração é um fato real, às vezes é algo que eu vivenciei. O que evito é inspirar-me em outras histórias de ficção. Acho que a ficção tem que trazer coisas novas, sob o risco de se tornar uma coisa repetitiva. 

"(...) evito inspirar-me em outros histórias de ficção. Acho que a ficção tem que trazer coisas novas..."

Bia: Qual a principal diferença no sentido da criação, entre Tânatos e Macabra Mente?

Vitor: Tânatos começou com um conto, que foi o Disco de Vinil. Ele havia sido uma das raríssimas coisas de ficção que escrevi, nesse período de 1999 a 2015. Eu queria vê-lo publicado em uma coletânea da Andross, chamada Círculo do Medo. Mas ele era muito grande para a antologia, que só permitia contos de até 8 mil caracteres. Então, eu escrevi Combustão, que era uma daquelas histórias que surgiu anos atrás na minha cabeça, mas simplesmente a ignorei e ela morreu. Quando terminei de escrever Combustão, novas idéias começaram a pipocar na minha cabeça. Então, desisti de publicá-lo na antologia e pensei em criar histórias suficientes para ter um livro solo. Em cerca de um mês, havia escrito os nove contos que integram Tânatos. E Disco de Vinil, curiosamente, ficou de fora do livro. Acabei publicando-o apenas no Wattpad. Depois que entreguei o livro pra editora, em setembro de 2015, eu fiquei vários meses sem escrever nada novo. Então, em meados de 2016, tive a ideia para um curta-metragem, sobre um síndico que recebe uma chamada para verificar um barulho estranho na casa de máquinas do elevador do prédio. Ao chegar lá, ele se depara com algo assustador. A ideia era boa, mas como eu não tenho nenhum talento para fazer cinema, escrevi um conto, que foi O Barulho na Casa de Máquinas e o mandei para ser publicado em uma revista. Depois escrevi mais dois contos para serem publicados em antologias da Andross, o Zé do Peixe quer o Seu Voto e Auto de Resistência. Por fim, escrevi Beta para uma coletânea da Editoria Fonzie. E as idéias foram surgindo assim como em Tânatos. Quando já tinha escrito sete contos novos, juntei Disco de Vinil e fechei Macabra Mente. Acho que a grande diferença entre os dois foi que, de certa forma, acabei aprimorando minha escrita entre um livro e outro, mesmo os dois escritos com uma diferença de apenas um ano.



Bia: Eu adorei o conto Disco de Vinil. Particularmente, gosto de elementos amaldiçoados (rs). Em minha opinião, esse seria um conto que merecia, e que ainda dá ganchos para uma “esticada”. Já pensou ou tem projetos em fazer um livro que não seja de contos? Existe algum conto que poderia ganhar uma esticada?

Vitor: Eu não gosto muito de ficar retrabalhando contos. Para mim, uma vez publicado, o conto está pronto. No máximo, posso fazer correções. Sobre escrever algo que não seja contos, eu tenho trabalhado, muito vagarosamente, em uma história mais longa, mas não sei onde ela vai chegar.

Bia: Pensou em alguma música específica para o conto?

Vitor: Eu pensei bastante em Pink Floyd, mas não em uma música específica. E provavelmente a música do Disco de Vinil sequer se pareceria com qualquer canção de Pink Floyd. Pensei apenas em uma música psicodélica extremamente entediante, com alguns toques sacros. 

Bia: Uma característica que percebi em seus livros: apesar de termos passagens horrendas geralmente quem sofre algum mal, o fez por merecer. Como um castigo. Assim sendo, tanto em Tânatos quanto em Macabra Mente, em alguns casos, eu fiquei satisfeita com o final macabro de alguns personagens. Esse choque foi, pra mim, um ponto positivo, pois leva a reflexões. Quando você começa a elaborar seus enredos, leva em conta as escolhas erradas do ser humano? O castigo por vezes tão presente foi imposto propositalmente em seus enredos?

Vitor: Na verdade, nem todos fazem por merecer. Em alguns, como Zé do Peixe e Auto de Resistência há uma clara satisfação por parte do autor em fazer aqueles personagens terem um sofrimento merecido. Mas em outros contos, a punição é completamente aleatória. Não há um senso de justiça a ser seguido. O mal simplesmente escolhe alguém e age ali. Em Combustão, por exemplo, o jornalista está apenas fazendo seu trabalho, acreditando que fará uma diferença positiva para a sociedade. Ainda assim, ele morre. Em Despachos, outro exemplo, o cara simplesmente dá o azar de "mijar" em cima de um despacho de macumba e isso faz com que um encosto fique perseguindo-o. O protagonista não é malvado, ele simplesmente escolhe o lugar errado para "mijar". Mas a vida é injusta.

"Não há um senso de justiça a ser seguido. O mal simplesmente escolhe alguém e age ali."

Bia: Tanto o terror quanto o horror, dentro da literatura nacional, ainda é visto com muito preconceito por parte dos leitores. Sentiu resistência por parte deles ao publicar seus livros?

Vitor: Na verdade, há resistência de leitores para qualquer coisa que se publique no Brasil. O brasileiro não gosta de ler. E o brasileiro não gosta de gastar dinheiro com literatura. Então, o mercado é pequeno para a literatura. Se você é publicado de forma independente, como eu fui, as chances de ser bem-sucedido são muito pequenas. Não acho que é pelo fato de ser escritor de terror, mas pelo fato de ser um autor desconhecido e independente.

Bia: Fale um pouco sobre seus projetos futuros.

Vitor: Como eu disse, tenho trabalhado em uma história mais longa, que pretendo publicar algum dia. Ainda não tem título, mas é uma história de terror. Também tenho investido na publicação de contos no exterior. Um dos contos de Tânatos, Mensagem Instantânea, foi publicado no início de abril no sexto volume da antologia norte-americana Horror Library, cujos últimos três volumes foram finalistas do mais importante prêmio da literatura de horror mundial, o Bram Stoker Awards. Outros dois contos também deverão ser publicados ainda este ano em antologias internacionais: Combustão sairá na britânica The 5th Spectral Book of Horror Stories e Tem Uma Coisa Dentro de Mim, na americana Night Shades – Volume 1.

Bia: Deixe uma mensagem para quem ainda não conhece suas obras.

Vitor: Gostaria de convidá-los a conhecer meu trabalho no Site e no facebook.


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Quero deixar o meu muito obrigada ao autor, ressalto que foi um prazer conhecê-lo e ainda elaborar essa breve entrevista.

Espero que tenham curtido!

Beijos









Post por: Bia Gonçalves
Sua maior paixão são os livros que lhe fazem viajar. Odeia mesmices, por isso adora se aventurar nas páginas de uma boa fantasia e se prender a um terror daqueles de parar o coração.
12 Comentários | BLOGGER
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12 comentários:

  1. Olá, Bia!
    Que entrevista legal. Não conhecia seus livros, mas fiquei bem curiosa com esses castigos que ele coloca nos personagens, acho que nunca li algo do tipo.

    Beijão
    Leitora Cretina

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    1. Oi Mônica!!!
      Obrigada amore, eu gostei muito da escrita do autor, e até acreditei que ele dava um castigo merecido aos personagens. Mas ele nos esclareceu que não, na verdade qualquer pessoa (boa ou não) poderá ser atormentada em suas estórias rs. Sinistro né?
      Beeijos

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  2. Olá Bia, que entrevista mara!!! Não conhecia ainda o autor e sua obra mais agora pude identificar e saber mais.

    www.mundofantasticodoslivros.blogspot.com

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    1. Oi amorinha!! Muito obrigada, fico feliz que tenha curtido.
      Beijos

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  3. Olá Bia!
    Adorei! Adoro relatos sobre a escrita, ver como os autores conseguem por suas obras no papel, dar vida a suas histórias!
    Bjs

    EntreLinhas Fantásticas - Sorteio Harry Potter no nosso Instagram @entrelinhasfantasticas

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  4. Oi Bia, tudo bem???
    Nossa que autor simpático ein.... ele pareceu mesmo bem interessado em responder a entrevista e suas perguntas maravilhosas contribuíram para respostas inteligentes também... Eu já conhecia o autor, mas só de ouvir falar, ainda não li nada dele, mas estou bem curiosa com o o conto Combustão e Macabra Mente. Xero!

    http://minhasescriturasdih.blogspot.com.br/

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    1. Oi amore mio!! Estou bem e você?
      Sim, Dih, o Vitor é uma pessoa muito acessível, foi muito compreensível para comigo, e ainda foi um fofo ao responder minhas perguntas. Leia leia leia rsrs, os contos são ótimos.
      Beijos

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  5. Olá Bia!
    Sempre muito bom conhecer um pouco mais dos autores através do blog. Me interesso muito pelas obras dele pois é o tipo de gênero que me atrai bastante!
    Grande beijo

    EVENTUAL OBRA DE FICÇÃO

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    1. Oi Roberta!!
      Obrigada, espero que leia e goste ♥
      Beijos

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