Resenha: Os Santos de Colditz - M R Terci #Temporada I (Minissérie)

6 de abril de 2016
Título: Os Santos de Colditz
Minissérie Os Santos de Colditz - Primeira Temporada
Autor: M R Terci
Publicação Independente 
Ano: 2016
Páginas: 336
Skoob
Comprar: Amazon
Sinopse: “As trevas... as trevas estão vindo! Sombras estão cantando, vejo olhos amarelos na escuridão! As trevas estão vindo! Deus tenha piedade de minha alma... os Santos estão chegando...” Todo o horror da Segunda Guerra Mundial é apenas uma sombra perto do que está por vir.
Conheçam o capitão-aviador Garcia e o cabo Franco, soldados brasileiros que lutaram na Segunda Guerra Mundial e que acabaram em um campo de prisioneiros de guerra conhecido como Colditz, no leste da Alemanha. Dentro em breve, neste castelo gótico, enredado em mistérios, pesadelos e muita carnificina, os soldados descobrirão que os horrores perpetrados por seus algozes, a SS nazista, são apenas uma sombra perto do que está por vir.





 

Os Santos de Colditz é uma obra diferente em muitos aspectos. Primeiro, pela forma que foi disposta aos leitores. Lançada na Amazon, o autor a fez em forma de minissérie, dividida em dez capítulos. Todas as sextas, um novo episodio ia ao ar.
Começo dizendo o quanto foi prazeroso acompanhar essa minissérie. Tive medo de início, em acabar me perdendo no contexto e, ainda, me esquecer de personagens. Deveria saber que em se tratando de M R Terci, um enredo bem como seus personagens, jamais poderão ser esquecidos.
Vocês já devem ter ouvido falar em Colditz, mas caso não se lembrem, é um castelo situado na cidade alemã de mesmo nome. Foi construído na idade média, para fins da realeza. Com o passar dos anos, foi usado como centro administrativo, pavilhão de caça, casa de caridade. Em 1829, se transformou em um hospital psiquiátrico, e assim permaneceu por quase cem anos. Na segunda guerra mundial (1939-1945), serviu como um campo de prisioneiros de guerra de alta segurança.
Particularmente, adoro livros que misturam contextos históricos com ficção. Trazendo Colditz como campo de prisão, a minissérie nos traz justamente essa mistura incrível de realidade e fantasia. E o resultado foi uma trama envolvente e sombria.
"O chão em Colditz tem cheiro de morte."
O enredo se inicia mostrando um pouco das monstruosidades praticadas pelos nazistas no campo de prisão. Nos surpreendemos ao descobrir que dois brasileiros eram prisioneiros de lá, Franco e Garcia. 
Soldado Franco não temia os nazistas. Era rebelde e os tratava com desrespeito, na maioria das vezes.
Garcia era capitão-aviador, e os brasileiros tinham entre si uma grande amizade.
Nossa curiosidade já começa a ser aguçada quando nos é revelado que Franco se sentiu salvo ao ser preso pelos alemães. Não é como se Colditz fosse um presidio brasileiro. Os piores métodos de tortura eram praticados por lá, sem contar que não havia possibilidade de fuga.
Franco sabia que existia algo pior que a guerra e os nazistas. Fora testemunha de uma passagem sobrenatural e diabólica quando estava em batalha. Loucura? Delírio? O fato é que o oficial alemão Joseph, por algum motivo desconhecido, se interessou pela história do brasileiro. O interesse foi tamanho, que ofereceu a liberdade para ele e Garcia em troca de relatos escritos.
Fora do grande oflag, soldados alemães sofriam ataques inexplicáveis. Pelotões inteiros foram esquartejados, e os poucos sobreviventes pareciam ter enlouquecido. O que quer que estava atacando os soldados, não parecia ser humano; e Joseph sabia disso. E o pior ainda estava por vir. Colditz, o local considerado impenetrável, também passou a sofrer com ataques internos.
Poderia existir ainda mais terror neste lugar? O que poderia ser pior que os próprios nazistas?
"O mal existia, ele estava no meio de nós."
Quando pegamos um livro qualquer para ler, as vezes o primeiro capítulo não nos encanta. Geralmente, não o abandonamos apenas pelo que nos foi mostrado de inicio. Concedemos mais chances aos que estão por vir.
No caso de uma minissérie, o autor deve ter ciência que todos os episódios, principalmente o primeiro, deve prender o leitor. Caso contrário, ele não será lido. Assim sendo, a aposta de Terci foi realmente corajosa. E se hoje estou resenhando a minissérie por completo, significa que sim, deu certo.
Eu não sabia o que esperar, mas ao ler o primeiro capítulo, já fiquei completamente presa em Colditz. Minha sensação foi como se tivesse sido pega pelos alemães.
Preciso apontar o quanto os personagens são bem construídos. Logo de inicio, me simpatizei pelos brasileiros. A impressão que tive foi a de encontrar conterrâneos em um lugar desconhecido. 
Talvez as raízes de quando o lugar não passava de um hospício, me deixaram um pouco maluca, pois acabei por simpatizar até mesmo por alguns nazis; e compreendendo, em partes, o outro lado da moeda. A minha situação se torna mais crítica quando as sombras invadem nosso enredo.
"...as sombras caçavam homens e colecionavam mortes."
As sombras ou tebras (posso exemplificar como uma sombra com vida própria), que também já foram personagens de outras histórias do autor, são as responsáveis em provocar o terror e o suspense sobrenatural nesta obra. Aliás, um fato incrível é essa interligação entre os livros do autor. Adoro essas característica disposta em suas obras.
"Os mortos também tem sombras, mas somente alguns cadáveres bruxos sao capazes de dar vida ao animal selvagem que jaz aos seus pés."
A loucura dessa leitora é tamanha, que por vezes, eu torcia pelas sombras; e erroneamente acreditava que era uma espécie de vingança divina; que elas estavam ali motivadas pela maldade existente nos nazistas. 
Ahh como fui surpreendida... 
Talvez Colditz deva voltar a ser hospício e me abrigar por lá. Vocês não vão acreditar que minha personagem predileta, a qual me conquistou desde sua primeira aparição, foi justamente uma tebra.
Os Santos de Colditz é uma leitura fascinante, que tem a capacidade de prender o leitor desde a primeira linha. 
As ações e surpresas presentes na trama, não deixam criar aquele clima de calmaria; comum a muitos livros do gênero. Assim como a própria guerra, é tensão do início ao fim.
O terror imposto por Terci foi inteligente e instigante. Algumas partes ficam sugestivas ao leitor, e assim como os próprios personagens, ficamos em dúvida da natureza dos acontecimentos. Outras passagens, mais explícitas, deram aquela adrenalina que somente o medo é capaz de causar. 
"Seu hálito tinha o odor de uma cova repleta de cadáveres e seus olhos eram o epitáfio das coisas malditas."
Posso recomendar essa leitura por vários motivos, pois vocês já puderam perceber o quanto a amei. Mas recomendo principalmente pela riqueza de conteúdo. Se você ama história, vai ficar empolgado com o contexto citado. E caso não goste, fique tranquilo porque a forma como é tratada, não se torna monótona ou cansativa. Aliás, nem vai perceber o conhecimento adentrando seu ser.
Entrou para minha lista de favoritos, e quando digo que Marcos é um autor completo, não estou exagerando. Fazer terror num cenário que já contém terror; sendo incrivelmente original, não é para qualquer um.
Espero que vocês leiam, tudo que expus aqui não chega perto do que é a obra completa. 
Agora, resta-nos ansiar por uma publicação que traga este maravilhoso enredo em formato físico.

Nota: 5/5 
Sobre o Autor:
M. R. Terci é escritor e poeta. Antes de se dedicar exclusivamente a escrita, foi advogado com especialização em Direito do Trabalho e Direito Internacional. Começou a carreira de escritor em 2004, escreveu centenas de contos e recebeu vários prêmios por suas participações em antologias e concursos de poesia.Nascido em São Paulo, em 1973, M. R. Terci busca honrar aos Deuses da Criação Literária, devotando-se ao solitário trabalho de traçar destinos através dos meandros do horror sobrenatural.Sua escrita tem como característica a pesquisa histórica, primando sempre pela composição poética de cada parágrafo penejado. Com base em fatos históricos, o escritor substitui os castelos medievais pelos casarões coloniais, as aldeias de camponeses pelas cidadezinhas do interior, os condes pelos coronéis e as superstições por elementos de nosso folclore e crendices populares, verdadeira transposição do gótico para a realidade brasileira.Seus livros não são apenas para os fãs do gênero horror. Seu penejar é para quem aprecia uma narrativa envolvente, centrada na experiência subjetiva dos personagens mediante as possibilidades que o contexto sobrenatural de suas estórias permite.É o criador da série O Bairro da Cripta, composta por contos de terror que colocam os clássicos do terror universal sob o lume dos lampiões de querosene dos sertões paulistanos do século XIX. Os dois volumes iniciais da pentalogia, Elegias e Epitáfios, foram publicados pela Editora LP-Books, respectivamente em outubro de 2014 e maio de 2015. Seguirão, ainda, as Exéquias, os Epicédios e as Endechas do Bairro da Cripta.Atualmente M. R. Terci trabalha no desenvolvimento de Os Imperiais de Gran Abuelo – As Crônicas de Pólvora e Sangue e As Crônicas dos Negros Céus. O primeiro livro dessa série de fantasia e horror apresenta os soldados imperiais treinados pelo General Osório no reinado de Dom Pedro II, às voltas com monstros sobrenaturais libertados pelo caudilho Solano López no desfecho da Guerra do Paraguai.
Outras obras:

O BAIRRO DA CRIPTA - tomo I Tinha uns olhos da cor da tempestade Abigail (English Edition) O BAIRRO DA CRIPTA - tomo II
Caídos Universo Paulistano vol. II Marcas do Tempo IX
Gostaram? Irão ler? Já conheciam o autor e suas obras? Contem-me nos comentários.

Beeijos









Post por: Bia Gonçalves
Sua maior paixão são os livros que lhe fazem viajar. Odeia mesmices, por isso adora se aventurar nas páginas de uma boa fantasia e se prender a um terror daqueles de parar o coração.
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21 comentários:

  1. Miga sua loka, que resenha divina é essa? Eu me amarro em livros com relação a Segunda e Primeira Guerra Mundial. É sempre emocionante! Onde consigo essa obra??? Pelo amorrr

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    1. More loko, obrigada!! Eu disse que vc precisa ler, e não estou brincando. É uma leitura fantástica. Você conseguirá na Amazon. Logo na introdução da resenha, dispus o link ;)
      Me conte o que achou.
      Beeeijinhos ♥

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  2. Marcos Terci sem dúvida é um grande escritor. Ele mescla história (AMO!!), com horror, com sobrenatural, com brasilidade em uma escrita sofisticada e gostosa de uma maneira genial e muito original, a escrita dele é única e nos prende, nos envolve totalmente de forma que quando terminamos um livro dele sentimos saudade dos personagens. Eu sei disso pq já sou fã, tenho O Bairro da Cripta Tomo I e II e Abandonai Toda a Esperança - caídos (com dedicatória!!!). Adorei a resenha, fiquei mto curiosa. As grandes guerras é um assunto que me interessa muito e poder ler sobre isso no universo único que é a escrita do M.R. Terci vai ser perfeito. Gostaria muito da versão física tbm!

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    1. Oi Daliza!! obrigada pela presença em nosso cantinho.
      Você expôs tudo em seu comentário. As obras do Marcos são justamente isso.
      Desejo muuuito a versão física também.
      Beeijos

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  3. Arrasou na resenha! Quanto sentimento!!!
    Então.
    Achei a idéia da mini-série sensacional! Diferente de tudo o que já li e, sem dúvida, tal proposta me atraiu muito.
    Outro atrativo foi a ambientação da estória. Adoro tudo que envolva a Segunda Guerra e, tais atrocidades sendo palco de uma estória de terror só pode gerar sucesso e medo, muitooooo medo!
    Adorei!
    Quero muito ler!
    Estou ansiosa para conhecer a narrativa do autor. Vai ser lindo! <3

    Beijos,
    Fabi Carvalhais
    Pausaparapitacos.blogspot.com.br

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    1. Fabi quero muito que vocês conheçam logo a escrita do autor. Preciso ter com quem conversar hahahaha.
      Espero que leia e se encante.
      Beeijos

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  4. Um dos melhores escritores da atualidade surpreendeu com uma narrativa impecável e estória de extrema criatividade! Aguardo ansioso o lançamento da obra física.

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    1. Concordo plenamente Heber! Também estou ansiosa pelo exemplar em formato físico.

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  5. Eu queria ter ganho um centavo por cada vez que ouvi o nome Terci em meio à referência de um livro de horror! Estaria rico! O cara é phoda mesmo! Nada de mesmice, nada de clichê florido pra gringo ver. Revolução no horror!

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    1. Usou o termo correto: Terci é a revolução do terror.

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  6. Já conheço ele do bairro da cripta! sensacional! terror a moda antiga pra te deixa bolado... aguardando a publicação desse!

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    1. Oi Kaique!! Eu não consigo esperar a publicação rsrs, qdo se trata de Terci faço questão de ler independente da forma.
      Após concluir a minissérie, a ansiedade para ter o meu exemplar físico está a mil.
      Beijos

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  7. Preciso adiantar minhas leituras e ler os livros do Terci.
    Com a mudança do meu dia a dia, minhas leituras estão acumuladas :/
    Mas com certeza vou guardar um lugarzinho especial para ler essa miniseries. Porque pela sua resenha surtante, percebe-se que o livro é incrível rs
    Arrasou!

    Bjs!

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    1. Oi cunhada!! Bem, você é a prova viva do quanto eu surto com os livros do Marcos. E digo sempre: um autor como ele merece mesmo um lugarzinho especial.
      Beeijos e obrigada ♥

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  8. Oi Bia, sua linda, tudo bem?
    Achei super criativo lançar um capítulo por semana, como se fosse uma minissérie. Eu iria ficar aguardando ansiosa pelas sextas só para conseguir ler mais um episódio. Achei o máximo também colocar como cenário um castelo real. Fiquei com medo dessas sombras e eu adoro quando nossos personagens preferidos não são os mocinhos, geralmente eu gosto mais dos vilões, por isso te entendo perfeitamente, risos... Não conhecia o autor e suas obras, mas depois dessa resenha impossível não querer correr para conferir. Adorei sua resenha!!!
    beijinhos.
    cila.
    http://cantinhoparaleitura.blogspot.com.br/

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    1. Oi Cila!! Você, que tanto apoia os autores nacionais, precisa conhecer M R Terci. Tenho certeza que se encantará com sua escrita.
      Espero que leia ♥
      Beeijos

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  9. Bia assim você me mata de curiosidade mulher!!!
    Bom eu adoro a temática 2ª Guerra e sobrenatural e sua resenha me deixou bem curiosa sobre essa obra, apesar de contar coisas que deixa aquela vontade de ler o livro, você não revela quase nada, que agonia kkkk
    Mas amei sua resenha, e acho importante que cada vez mais pessoas leiam e falem de livros brasileiros que sejam assim diferentes, mas muito bem escritos!! Vamos mostrar como a gente pode fazer livros de terror incríveis tanto quanto autores internacionais!!
    Beijos

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  10. Oi, Bia!
    Achei super interessante o modo como o autor liberou os capítulos. Bem diferente.
    Eu não conhecia o autor, mas essa obra me deixou bastante inclinada a dar uma pesquisada sobre ele.
    Beijos
    Balaio de Babados
    Porcelana - Financiamento Coletivo

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  11. Nossa, dá pra sentir como a sua resenha foi feita com o coração, sabe? Parece que tu realmente gostou da leitura, e isso é demais. Para quem gosta do gênero (eu!!!) e se empolga com resenhas sinceras bem escritas isso é demais.
    Curti de verdade a ideia do livro, e acredito em ti quando diz que ele é extremamente bem escrito. Agora eu quero ler mesmo hahaha
    Não tenho o hábito de ler ebooks, como tu fez? Você tem um aparelho específico pra isso, ou leu no celular/computador mesmo? hahaha
    Aliás, nesse mês de abril eu tenho que cumprir um desafio literário que consiste em ler um livro sobre o holocausto, ce sabe me dizer se esse se encaixaria?

    Beijos, Bia! <3
    Mago e Vidro

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  12. Ai, meu santo deus, eu KEROOOOOOOOO! Sério, Bia, que resenha maravilhosa, impossível não ficar interessada. Vamos começar uma campanha pra alguma editora dar a devida atenção que esse autor merece <3 Terror já é um gênero marginalizado, nacional então...
    Eu vou começar pelo O bairro da Cripta, tenho certeza que vou curtir, super confio nas suas indicações <3
    Beijos, more mio <3

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  13. Resenha incrível! Já conhecia o autor pelo bairro da cripta e por outras cositas que tenho visto. Vou procurar a série na amazon! Se te empolgou assim, vale a pena ler!

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